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domingo, 24 de junho de 2012

CRÍTICA de CINEMA

Sombras da Noite


O cineasta Tim Burton é reconhecido por sua estética sombria, divertida e por sua parceria com o ator Johnny Depp. Em "Sombras da Noite", sua nova produção, conta a história de um vampiro - interpretado por Depp - , que depois de 200 anos enterrado volta ao lar que sua família "construiu com sangue". No elenco: Michelle Pfeifer, Chloë Grace Moretz, Helena Bonham Carter, Eva Green e Alice Cooper (como ele mesmo). Com uma direção de arte e fotografia típica de Burton, esta produção é o seu reflexo; reafirmando sua posição como diretor de assinatura. O filme inicia no século 18, narrando a história de Barnabas Collins (Depp), como ele ganhou sua forma vampiresca. Uma contação que poderia ter sido evitada, uma vez que no decorrer da trama os espectadores conhecem a origem dos personagens. Tal narrativa inicial quebra com possíveis segredos e revelações. Se não fosse pela abertura, o longa seria mais interessante e misterioso. Mesmo assim, podemos extrair humor e as peculiaridades específicas de Burton.
Em 1972, Barnabas é encontrado e dá início à revitalização do nome da família, bem como os negócios. Daí a história ganha o humor "deppiano", revelando o contraste dos séculos. Em plena década de 70, a arte e o comportamento dos personagens são explorados, assim como a trilha sonora. Burton conta ainda com um casting talentoso, que imprimem a não importância do cineasta na direção de atores e sim na configuração da misen-èn-scene. Os personagens têm claras referências de outras produções do cineasta. Depp é Depp, mas com referências de outro personagem do longa ED WOOD (de Burton) e resquícios de outros personagens seus. O personagem caiu como uma luva para Depp, mas isto não o torna genial. Barnabas poderia ter sido interpretado por qualquer outro ator, com competência igual ou melhor.
Eva Green revela um lado cômico e vilanesco com sua Angelique, que é claramente inspirada na personagem Vampira (de Maila Syrjäniemi). Seus figurinos e trejeitos lembram a tal personagem - que pode ser vista nos filmes de ED WOOD-. Chloë Moretz prova seu talento, como a adolescente da família. A jovem atriz é uma das melhores de sua geração e está deixando sua veterana Dakota Fanning para trás. A versatilidade e suas boas escolhas de papéis provam que ela ainda vai crescer muito.
Mesmo sendo um longa com personagens interessantes, a trama esbarra em esquinas já visitadas pelo diretor; mas ainda assim continua sendo intrigante. Este parece ser um reboot de todos os filmes e referências do cineasta (como Ed Wood - demasiado citado nesta resenha, Os fantasmas se divertem, A Morte Lhe Cai Bem, Edward Mãos de Tesoura...). Sombras da Noite é um grande revival do cinema burtoniano e brinca com a comicidade do gênero terror.

(Thais Nepomuceno)


Armadilha


O que você faria se estivesse em um caixa eletrônico, em uma madrugada deserta, prestes a sofrer uma violência de um maluco encapuzado parado em frente à uma porta eletrônica? Dirigido pelo estreante em longas metragens, David Brooks, “Amadilha" ('ATM', como são chamados os “Caixas Eletrônicos 24 horas” nos EUA) tenta criar uma atmosfera de suspense que não surpreende nem gera medo em nenhum dos 90 minutos de filme. Muito difícil saber quem está pior em cena, Josh Peck ou Alice Eve. Brian Geraghty ao menos se esforça ao seu máximo para tentar dar algum sentido ao seu medroso personagem.
Na trama, um amigo convence um outro de ir à uma festa de confraternização onde estará a garota de seus sonhos. Após um lance de sorte (bastante forçado, diga-se de passagem), o jovem apaixonado tem a chance de dar uma ‘carona amorosa’ à sua eminente conquista, porém, um amigo também embarca nessa viagem e o trio, após um pedido inusitado por comida, dá uma parada em um caixa eletrônico onde acabam em uma luta desesperada para salvar suas vidas quando ficam “presos” no local por um homem misterioso vestido com uma roupa de frio.
Quem assina o roteiro é Chris Sparling (que também fez o roteiro do ótimo “Enterrado Vivo”), pena que não consegue acertar com esse, como em trabalhos anteriores. Tudo é muito sem sentido e o material humano também não ajuda. Muitas das situações que vemos nas sequências são extremamente forçadas e sem um pingo de criatividade, deixa muito à desejar. É uma verdadeira maratona ir até o fim da fita.
Tem coisas que não dá para entender: 1) Porque eles decidiram ir até o “ATM” mais escuro, isolado e sombrio da cidade? 2) Porque o carro foi estacionado a muitos metros de distância da entrada do “ATM” ? 3) Qual o motivo do Serial “ATM”? Essas são apenas algumas, muitas outras vocês indagarão se forem ver esse longa que prometia ser ao menos interessante mas se perde do início ao fim.
Esse não vale nem levar aquela paquera para ver, o filme não dá medo! Se você quer pulos nas cadeiras ou uma trama intrigante corra para ver outra fita! Muito abaixo da média entre os filmes do gênero!

(Raphael Camacho)

domingo, 17 de junho de 2012

CRÍTICA de CINEMA

Prometheus


Qual o nosso propósito? Qual a nossa origem? Pensando nessa e em outras respostas, chegou aos cinemas na última sexta-feira, o novo trabalho de Ridley Scott, 'Prometheus'. Inserido até o último suspiro no gênero sci-fi, o longa futurístico conta a saga de cientistas em busca de respostas para a humanidade.
Recheado de figuras esquisitas marombadas, gosmas melequentas e robôs que usam chinelo de dedo, a fita tem seu grande ponto positivo no roteiro inteligente e bem bolado que deixa qualquer cinéfilo feliz, claro.
Na trama, somos apresentados a uma equipe de exploradores que descobrem uma pista para a seguinte questão: a origem da humanidade na Terra! Isso acaba os levando a uma aventura interplanetária nos lugares mais complexos que habitam o universo. Chegando em seu destino, os tripulantes da "Prometheus" terão que enfrentar uma batalha cruel e dolorosa para tentar salvar o futuro da raça humana.
Já em seu início, “Prometheus” prometia. Tomando uma batida de maracujá incandescente, um ser de outro planeta colocava o espectador para pensar logo na primeira sequência. Será que aquela cena explicaria alguma coisa mais pra frente? O filme consegue exercer esse poder, o da ‘informação vital’ para o entendimento. Se você se afastar da história em algum momento, pensamentos esquisitos irão navegar em sua mente.
Alguns pontos interessantes são levantados pela história. O ser ‘mãe’, a curiosidade humana (em relação à evolução) contra a aceitação religiosa, a interação entre seres artificiais e os humanos, entre muitas outras questões. No caso desse filme, uma exceção à regra, não escreverei a fundo em relação a esses detalhes, pois, certamente spoilers virão e estragarão a sua surpresa.
Para ajudar a contar essa história, o competente diretor chamou uma equipe de peso. Encabeçando a lista, no papel principal, Noomi Rapace, que após esse bom trabalho consolida de vez seus pés em Hollywood. Charlize Theron (cada vez mais parecida com a atriz Abbie Cornish), adotando um jeito “robótico vilanesca” cumpre com méritos sua função para com a história. Logan Marshall-Green, o sósia do Tom Hardy, deixa o público um pouco perdido com as variações de seu personagem, mas não compromete nos principais momentos da trama. Mas, novamente esse ano, o show é do alemão! Michael Fassbender interpreta um ser bem peculiar e executa perfeitamente as características “humanas” que há nele. Seu robô David, que quem vos escreve apelidou o mesmo carinhosamente de “robô havaianas”, interage de forma misteriosa com os humanos, às vezes reproduzindo frases de outros filmes ao longo da fita. Quem disse que só os humanos tem memória cinéfila? Resumindo, David é um personagem fundamental para o sucesso da história.
O desfecho do longa é emblemático, então, não corram dos cinemas antes do filme realmente terminar, senão, você perderá a principal cena, e que praticamente consolida uma grande ponte e raciocínios complexos desse e de outra sequência bastante conhecida pelo público.

(Raphael Camacho)


A Arte da Conquista


Em seu primeiro longa metragem, o diretor Gavin Wiesen (que também assina o roteiro) tenta acertar a fórmula para a temática “paixonite adolescente” no filme “A Arte da Conquista”. O inglês Freddie Highmore e a americana Emma Roberts estrelam essa produção, que pode fazer um certo sucesso nos nossos cinemas. O filme é curto, tenta ser objetivo e inovador, mas acaba sendo bem monótono.
Na trama, o jovem George é um adolescente extremamente solitário que chegou ao último ano do colégio sem nunca ter interagido com seus colegas, como manda a regra. Um dia, ele faz amizade com uma garota chamada Sally (uma menina bem mais popular que ele). Aos poucos vamos percebendo que essa nova companhia de George é bem mais complicada que ele, assim, brotando uma relação bastante diferente. O interessante da história é o personagem de Freddie Highmore encontrar alguém tão complicado quanto ele e o que isso provoca nessa nova relação. A ideia é ótima e até certo ponto original, mas algumas coisas não se encaixam. A depressão e o sentimento anti-social mudam completamente a essência dos personagens, e esse caminho é pouco explicado/dedutivo para o público, que fica confuso com a montanha russa emocional que o filme se encaminha. Um pouco mais de minutos de fita poderiam ser a chave para explicações que no original parece que faltaram.
Não é uma questão de incompetência, apenas, a jovem dupla não consegue se encontrar em cena. Acredito que a famosa ‘química’ não rolou, o que afasta logo de cara o espectador da história que vem em completo pano de fundo. O engraçado é que os personagens possuem um certo carisma, que de alguma forma, não consegue se conectar com o público.

(Raphael Camacho)

domingo, 10 de junho de 2012

CRÍTICA de CINEMA

Madagascar 3: Os Procurados


Em 2005, recém-saída do sucesso absoluto de ‘Shrek’, a DreamWorks começou a investir em animações que não agradassem somente as crianças, mas também os adultos que as acompanhavam. Era a linha inteligente de pensamento da Pixar, mas ainda muito aquém da concorrente. Com o tempo, a DreamWorks foi se consolidando em animações, ora sucessos, ora fracassos. Depois de afundar a franquia ‘Shrek’ com dois filmes sofridos, o estúdio começou a procurar novas soluções, como dar sequência à sua outra franquia de sucesso: ‘Madagascar’. E acertou em cheio. O diretor e roteirista Eric Darnell conseguiu criar uma história inteligente para reunir mais uma vez o leão, a girafa, a zebra e a hipopótamo.
Alex (Ben Stiller), Marty (Chris Rock), Gloria (Jada Pinkett Smith) e Melman (David Schwimmer) estão decididos a voltar para o Zoológico do Central Park em Nova Iorque. Deixando a África para trás, eles pegam um desvio e emergem, literalmente, na Europa — em uma caça aos pinguins e chimpanzés que quebraram a banca de um cassino de Monte Carlo. Logo os animais são descobertos pela obstinada agente de controle de animais Francesa, Capitão Chantel DuBois (Frances McDormand), que não gosta de animais de zoológico andando pela sua cidade e está entusiasmada pela ideia de caçar seu primeiro leão! Os animais encontram o esconderijo ideal em um circo itinerante, onde bolam um plano para erguer o circo, descobrir alguns novos talentos e voltar pra Nova Iorque com vida.
O quarteto principal consegue novamente conquistar o público, mas o destaque vai para as novas adições e os coadjuvantes. Quem rouba todas as cenas, novamente, é o Rei Julien - na voz de Sacha Baron Cohen no original, e do brilhante Guilherme Briggs na versão dublada. Sua história é traçada paralelamente à trama principal, e é a melhor: ele se apaixona pela ursa Sonya, uma "top-model" fofa e peluda, que conquista o público sem ter sequer uma fala. Todas as cenas que a dupla aparece são esplêndidas.
Os coadjuvantes seguem roubando a cena nos cassinos de Monte Carlo, onde os pinguins e chimpanzés bolam um plano mirabolante para enriquecerem, que acaba não dando certo e servindo como desculpa para uma grande cena de ação com belíssimas paisagens. Das novas adições, destaca-se o fofo leão marinho Stefano – que não sabe pronunciar nomes direito – e a vilã cantora DuBois – apresentada em um número musical de tirar o fôlego com Non, Je Ne Regrette Rien.
A história se encerra com uma lição de moral – como de praxe – sobre o verdadeiro lar. E é claro, não poderia faltar a canção ‘Eu me Remexo Muito’, agora ainda mais dançante e com um toque circense – Afro circo. Avançando na qualidade em relação aos dois filmes anteriores, ‘Madagascar 3 – Os Procurados’ é um filme para toda a família, que vai fazer rir da menor criança ao adulto mais mal-humorado. Assista em 3D!

(Renato Marafon)


Deus da Carnificina


A premiada peça de teatro da dramaturga francesa Yasmina Reza, Deus da Carnificina chegou aos palcos brasileiros sob a direção do ator Emilio de Mello e com Deborah Evelyn, Julia Lemmertz, Orâ Figueiredo e Paulo Betti no elenco. O espetáculo fez sucesso e retornou em cartaz na cidade do Rio de Janeiro depois de anunciada a produção de uma adaptação da mesma peça para o cinema. Tal adaptação se trata da obra homônima dirigida pelo cineasta Roman Polanski, desta vez o casting é composto pelos oscarizados Christoph Waltz, Jodie Foster e Kate Winslet; e o indicado ao Oscar de Melhor Ator Coadjuvante John C. Reilly.
A trama gira em torno de dois casais que se encontram após seus filhos se envolverem numa briga e um deles acertar um bastão no rosto do outro, fazendo com que este perca seus dentes. A conversa - inicialmente - racional e civilizada vai perdendo controle na medida em que os casais expõem suas crenças, ideias e acontecimentos anteriores ao incidente. Palavras e fatos (como a libertação de um hamster, o uso de uma palavra a desgosto de um dos casais) , que a princípio não teria nenhuma importância tomam proporções imensuráveis sendo a causa e o desencandeio de inúmeras discussões. Um grande evento cartático, envolvendo não apenas o conflito entre as crianças, mas também os relacionamentos dos casais.
Polanski imprime na tela toda a sua experiência e visão artística. Seu talento como cineasta fica visível nos créditos iniciais do filme, onde ao fundo é mostrado como ocorreu a tal briga , evitando deixá-lo em primeiro plano durante a exibição dos nomes dos realizadores. Então, os espectadores são apresentados aos pais das tais crianças, os casais Cowan (Waltz e Winslet) e Longstreet (Reilly e Foster). Na escalação dos atores, houve - da parte de Polanski - sensibilidade, uma vez que cada ator atribuiu suas melhores performances nos personagens. A teatralidade do texto original não se perde. Uma vez que fica claro para os espectadores o conflito entre os personagens. O ridículo e absurdo tomam lugar no auge do conflito, mostrando um crescente na construção dos personagens e na visualização da misè-en-scene. Deus da Carnificina respeita a teatralidade da peça e age como uma lente de aumento no talento do cineasta Polanski e do elenco.

(Thais Nepomuceno)


Para Sempre


Rachel McAdams pode ser considerada a atual rainha dos romances hollywoodianos. Mesmo quando erra em suas escolhas de filme, ela se sai bem. Estrelou o ótimo ‘Diário de uma Paixão’ – romance preferido de 8 entre 10 pessoas – e o ruim ‘Te Amarei para Sempre’; entre vários outros. Em ‘Para Sempre’, McAdams volta a brilhar, em uma produção que pode até agradar aos fãs do gênero, mas não tem grandes ambições.
Paige e Leo (McAdams e Channing Tatum) é um feliz casal recém-casado cujas vidas são transformadas por um acidente de carro que deixa Paige em coma. Ao acordar com uma perda de memória severa, Paige não se lembra de Leo, mas apenas da confusa relação com seus pais (Sam Neil e Jessica Lange) e do ex-noivo (Scott Speedman) por quem ela talvez ainda sinta algo. Apesar destas complicações, Leo luta para conquistar seu coração novamente e reconstruir seu casamento.
Com uma história bastante interessante e baseada em fatos reais, falta um roteiro no mesmo nível – o enredo é lento e preguiçoso, deixando todo o trabalho de convencimento e química para a dupla protagonista. A trama parece ser adaptada dos melosos romances de Nicholas Sparks, mas não é. Trata-se da adaptação do livro escrito por Kim e Krickitt Carpenter, baseado nos relatos reais do casal.
Enquanto McAdams e Tatum tentam o melhor para convencer o público daquele romance – os coadjuvantes ficam perdidos e entregam atuações fracas, ainda mais levando em conta seus currículos. Sam Neill está totalmente canastrão, enquanto a perfeita Jessica Lange parece totalmente perdida. Scott Speedman tem seu personagem mal definido pela trama, e entrega uma atuação morna.
Com uma direção insegura de Michael Sucsy (do ótimo ‘Grey Gardens’) e cheio de clichês mal resolvidos e cenas piegas, o romance não consegue engatar e fazer jus à interessante história real. ‘Para Sempre’ é um bom programa para casais apaixonados, mas não é um ‘Diário de uma Paixão’; assim como Channing Tatum não é um Ryan Gosling.

(Renato Marafon)

domingo, 3 de junho de 2012

CRÍTICA de CINEMA

A Branca de Neve e o Caçador


O famoso conto da Branca Neve está em alta. Este ano, estão sendo lançadas diversas produções (televisivas e cinematográficas) com o conto da princesa, entre eles os seriados de TV “Grimm” (sobre os irmãos Grimm) e “Once Upon a Time”; e os filmes “Espelho, Espelho Meu” e “Branca de Neve e o Caçador”.
Mas estas não foram as únicas produções a abordarem o conto. Em 97, foi produzido um filme para TV "Floresta Negra - Branca de Neve Uma História de Terror"; estrelado por Sigourney Weaver e Sam Neill, Entre muitas outras adaptações.
Em “Espelho, Espelho Meu”, Julia Roberts (Madrasta) e Lily Collins (Branca de Neve) levaram o cômico para as telas. Porém a mais aguardada estreia é de Branca de Neve e o Caçador, que traz um lado sombrio e mágico do conto. Ora respeitando, ora burlando o happy end, mas sem perder o tom fantasioso e sombrio.
Sem esquecer que se trata de uma narrativa em que uma madrasta manda um caçador matar uma princesa, as motivações e meios da tal Madrasta (Charlize Theron) vão além da conquista do primeiro lugar no quesito "mais bela". Sua motivação inicial é a vingança, poder e a imortalidade. A beleza é a desculpa para toda a vingança. Com belas imagens, que transportam os espectadores a um reino sombrio e perigoso; mas que tem suas belas paisagens, sendo enfatizadas pela fotografia e o uso do verde na natureza.
Charlize Theron brilha como a madrasta má e sua beleza fica mais evidente na tela. Mesclando a bruxaria com vingança, a bela atriz mostra um outro lado seu. Já Kristen Stewart continua inexpressiva e insossa, ficando difícil acreditar que ela seja a mais bela (até mais que Theron), mas sua participação é intercalada com belas sequências e com atuação primorosa de Theron. E finalizando o casting, Chris Hermsworth (o Thor). O ator se desprende do deus do trovão, com um personagem muito semelhante ao anterior, e ainda assim, se destaca por sua leitura do Caçador.
Realizado pelos mesmos produtores de “Alice no País das Maravilhas”, “Branca de Neve e O Caçador” imprime uma mesma fantasia sombria, sendo fiel à história, ao mesmo tempo em se dá o direito de não seguir ao pé da letra os fatos da história. É uma adaptação interessante do conto - se valendo de belas imagens e da atuação de Theron.

(Thais Nepomuceno)

domingo, 27 de maio de 2012

CRÍTICA de CINEMA

Homens de Preto 3


Quinze anos após o primeiro filme, os Homens de Preto estão de volta. Foi uma produção problemática e preocupante, que deixou os fãs de cabelos em pé. Após o diretor Barry Sonnenfeld iniciar as filmagens, o roteirista David Koepp ('Homem-Aranha') foi chamado às pressas para reescrever grandes trechos do roteiro, inicialmente escrito por Jeff Nathanson ('Prenda-me se For Capaz') e Etan Cohen ('Trovão Tropical'). Geralmente, isso significa grandes problemas. Mas a troca de roteiristas não prejudicou o resultado final: com uma história envolvente e extremamente bem pensada, o enredo consegue fechar as pontas soltas deixadas pelos filmes anteriores, encerrando a história de maneira mirabolante e satisfatória. 'Homens de Preto 3' não só é um filme necessário, como também é tão bom quanto o original.
Desta vez, o agente J (Will Smith) terá que viajar no tempo, e voltará para o ano de 1969, onde tentará impedir o motoqueiro Yaz (Jermaine Clement) de destruir o mundo no futuro. No passado, ele contará com a ajuda do jovem K (vivido por Tommy Lee Jones no presente e Josh Brolin no passado). O retorno aos anos 60 é muito bem utilizado para inspirar piadas. Tem o visual bizarro dos aliens da época, os problemas com racismo, o movimento hippie e até o icônico Andy Warhol, que na verdade era um Homem de Preto infiltrado, soltando frases de efeito para enganar seus seguidores e entregando os momentos mais cômicos.
A química entre o trio principal é indiscutível: Will Smith retorna, após quatro anos longe das telonas, e demonstra que continua em sua melhor forma, fazendo rir a todo momento. O carrancudo Tommy Lee Jones segue formidavelmente sem expressões faciais, exatamente como o personagem pede. E Josh Brolin é a grande sensação do elenco: emprestando os trejeitos e voz, ele recria perfeitamente um Tommy Lee Jones jovem. Destaque também para a sempre ótima Emma Thompson, que consegue brilhar em suas poucas cenas.
‘Homens de Preto 3’ não dá somente um salto no tempo, mas também na qualidade, após um morno segundo filme. Comédia, ação e uma pitada de drama se unem a um espetacular 3D, valendo o preço do ingresso mais caro. Diversão para toda a família.

(Renato Marafon)

domingo, 20 de maio de 2012

CRÍTICA de CINEMA

Plano de Fuga


Depois de vários transtornos em sua vida pessoal, Mel Gibson (Um Novo Despertar) tenta refazer seu caminho para o alto escalão de Hollywood. O mais novo degrau em sua carreira é ‘Plano de Fuga’ (Get the Gringo), no qual o ator volta à sua especialidade: um filme de ação com grande carga cômica. No longa, Gibson interpreta um ladrão que é preso em território mexicano. Na penitenciária latina, o protagonista usa suas habilidades e sua inteligência para conseguir tirar vantagem do cenário. O papel cai como uma luva em Mel Gibson, que também é um dos roteiristas. A narrativa é o destaque de Plano de Fuga. A princípio, a história se apresenta como um mero pretexto para aproveitar a personalidade marcante do anti-herói. Mais adiante, o roteiro engrandece e faz jus ao título que o filme ganhou em terras brasileiras.
Quando o protagonista começa a planejar uma maneira de desestabilizar o poder paralelo de dentro do presídio, o enredo se torna bem mais complexo. O personagem de Gibson se alia a um garoto (Kevin Hernandez) para enfrentar o poderoso Javi (Daniel Giménez Cacho, de Arranca-me a Vida), um bandido que comanda a penitenciária. Como a simpatia pelo anti-herói já é garantida no começo protocolar do filme, o plano mirabolante da segunda metade do roteiro cai muito bem. Assim, o espectador que aceita todas as peripécias de braços abertos.
A expectativa depois de ver ‘Plano de Fuga’ é que Mel Gibson mantenha-se na linha quando está fora dos sets de filmagens para que seus fãs possam ser presenteados com outros filmes tão divertidos.

(Edu Fernandes)


O Corvo


Edgar Allan Poe foi um dos mais importantes escritores de terror e mistério. Em sua vida pessoal também existe um enigma que até hoje está insolúvel. Em 3 de outubro de 1849 o autor foi encontrado nas ruas de Baltimore em péssimas condições. Poucos dias depois (em 7 de outubro), Poe morreu de causas desconhecidas. Muito se especula acerca das circunstâncias que levaram Edgar ao estado deplorável em que foi encontrado: sujo, debilitado e delirante. O filme ‘O Corvo’ (The Raven) usa esse mistério para contar uma história de suspense e ação que homenageia a obra do escritor.
John Cusack (A Ressaca) interpreta Poe em uma trama totalmente fantasiosa. Um assassino em série está solto pelas ruas de Baltimore e todos seus crimes usam como inspiração a obra de Edgar. Por essa razão, o Detetive Fields (Luke Evans, de Imortais) decide chamar o escritor para ajudá-lo nas investigações. Logo é revelado que o verdadeiro alvo do plano do vilão é o próprio Poe. Aí começa uma perseguição que testará os limites da sanidade do autor, da mesma maneira como ele desafia a lucidez de seus personagens nos contos de terror. Nesse clima sombrio, além das referências aos escritos de Poe nas mortes, há diversas oportunidades em que se veem corvos. A ave é o tema do mais famoso poema de Edgar e representa sua alma e sua consciência em diversas cenas do filme.
Se não há fidelidade histórica plena na premissa de ‘O Corvo’, a esperança é que o longa incite a curiosidade do público jovem em procurar pela obra de Poe depois de terminada a sessão.

(Edu Fernandes)

domingo, 13 de maio de 2012

CRÍTICA de CINEMA

Battleship - Batalha dos Mares


O famoso jogo BattlleShip ganha sua versão cinematográfica, dirigida por Peter Berg (Hancock) e estrelada por Taylor Kitsch (John Carter), Alexander Skarsgård (Melancolia) e Liam Neeson (Desconhecido); ainda no casting, a participação da cantora de hip hop Rihanna.
O longa narra a invasão da Terra por alienígenas e uma batalha onde os terráqueos estão em desvantagem. Kitsch é Hooper, um jovem rebelde sem muitas pretensões, que é levado para a Marinha pelo irmão (Skarsgård). Sua imaturidade e egoísmo faz com que todos a seu redor desacreditem dele. Mas é colocado à prova, em uma batalha contra alienígenas. A narrativa se apóia em clichês do gênero e em uma trilha sonora potente, ora com clássicos do rock ora original; que fará os espectadores se animarem.
Em sua primeira parte, os espectadores conhecerão seus futuros heróis. Já a segunda, a ação prevalece com sequências intermináveis e com os famosos clichês: bordões, frases de efeito, apelo emocional, muitos tiros, descoberta científica, intervenção da NASA, falta de esperança, a redenção do mocinho rebelde, entre muitos outros. Em certos momentos, pode-se lembrar de outros momentos clássicos do cinema. Todos os artifícios são para que os espectadores tenham empatia com o mocinho, crença no poderio extraterrestre, emoção na batalha e comoção do herói. Não apenas isso, mas quando tudo está perdido, a salvação vem do inesperado. Sem entrar no mérito das atuações (pois não há um desenvolvimento bem elaborado dos personagens, excluindo-se as "camadas"), mas chamando a atenção para o debut da cantora Rihanna, que tenta a todo custo chamar a atenção para si, com uma atuação exagerada e vazia - pode ser comparada à sua vida pública: demasiadamente chamativa e totalmente evasiva.
No mais, Battleship - A Batalha dos Mares, mesmo sendo um festival de clichês, pode conseguir de seu público as emoções propostas em seu roteiro. Além de ser um bom filme para os fãs do gênero.

(Thais Nepomuceno)


Piratas Pirados!


A melhor coisa de ser um pirata é procurar uma aventura. Dirigido pelo inglês Peter Lord ("A Fuga Das Galinhas"), “Piratas Pirados” tem o plano de fundo nas ruas repletas de neblina da “Londres Vitoriana” contando a saga de um capitão pirata e sua banheira velha em busca de prêmio quase impossível. Entre uma e outra aventura, tenta brincar com a história, mas acaba deixando o público aos poucos caindo na sonolência.
Na trama, somos apresentados ao excêntrico Capitão Pirata. Com uma tripulação atrapalhada ao seu lado, embarca em uma aventura para conseguir conquistar o cobiçado prêmio: “Pirata do Ano”. Para isso, o carismático barbudo tem que enfrentar inimigos de profissão, uma rainha impiedosa com a classe pirata, Charles Darwin (sim, ele mesmo) e muitos outros obstáculos. Os personagens, que até parecem terem sido feitos de massinha, tentam agradar o público com jeitos peculiares que buscam fugir do comum a qualquer preço, o que deixa tudo muito chatinho e bobo demais (por mais que seja um filme voltado para a criançada).
Passando pela história das origens das espécies, o saudoso Charles Darwin dá o ar de sua graça e acaba ocupando um papel estranho na animação, um dos vilões da história. É um Darwin diferente, obscuro, que deixará muita gente com conclusões estranhas sobre o jeito (de mentirinha) do cientista. Quem também tem uma rápida participação é a inglesa Jane Austen. O que será que a talentosa escritora acharia dessa participação?
Uma coisa fica evidente e muito esquisita logo no início da projeção, uma palavra fica em destaque nas falas, (traduzidas, já que a cabine/pré-estréia que os jornalistas cariocas foram tiveram apenas cópias dubladas) “Surrupiar”, uma palavrinha complicada para as crianças entenderem já que tem muito adulto que nem sabe o que significa. Será que não poderíamos ter feito uma tradução mais trivial?
Os mestres do disfarce, que se camuflam de cientistas e bandeirantes rapidamente vão perdendo o brilho e o entusiasmo em uma produção que tinha tudo para dar certo mas acaba naufragando.

(Raphael Camacho)

domingo, 8 de abril de 2012

CRÍTICA de CINEMA

Espelho, Espelho Meu


Espelho, espelho meu existe alguém mais bonita que ‘Uma Linda Mulher’? Sim, a filha do Phil Collins! Dirigido pelo indiano Tarsem Singh, o primeiro dos filmes desse ano que falam sobre o universo da Branca de Neve (parece até que o personagem foi escolhido como conto infantil do ano), é uma visão maluca, porém, muito divertida desse clássico.
Na trama, uma princesa que já conhecemos de outros carnavais, resolve sair da fortaleza em que vive dominada por uma rainha cruel. Abandonada e em fuga, corre pela floresta sem destino, até conhecer sete anões (bem diferentes daqueles de outrora). Aos poucos vai virando líder dos pequenos ladrões mascarados, combatendo as ações maléficas da governante da região.
As atuações carismáticas ajudam a criar uma sintonia com o espectador. A inglesa Lily Collins (filha do famoso músico Phil Collins) passa uma paz e uma tranqüilidade própria da personagem, famosa dos contos infantis. A protagonista Branca de Neve quando sai do casulo vestida de ‘chapeuzinho amarelo’ cresce na história mas é ofuscada pela grande atuação da intérprete da rainha. Em alguns momentos, mesmo nas cenas com o foco na Branca de Neve, quando Julia Roberts não está em cena, o filme parece que não anda. Nathan Lane interpreta Brighton, o braço direito da rainha má. O famoso ator, que dá um show em “A Gaiola das Loucas” (ao lado de Robin Williams), parece improvisar muitas vezes e a fórmula dá certo em muitos momentos. Quando aparece vestido de barata gera risos de todos da plateia. Armie Hammer (que foi muito elogiado pela crítica por sua atuação no filme “J.Edgar”) faz um príncipe bobão (bem exagerado), às vezes acerta com o personagem, outras vezes não.
Julia Roberts foge do rótulo de boazinha e rouba o filme para si. Uma rainha falida que exala loucura a cada momento, sua personagem é excêntrica e adora fazer uso de magia negra em alguns momentos, além de receber um tratamento de beleza bizarro com direito a creme facial feito de bosta de papagaio. É um dos melhores trabalhos da carreira da Srta. Roberts. Ótima atuação da ganhadora do Oscar que encontra o ponto certo da personagem se tornando o grande destaque do longa, que tem o roteiro de Melissa Wallack e Jason Keller.
Tudo no filme é muito cheio de efeitos e extravagância. Cenários programados, figurino requintado, corajosos anões em pernas de pau infláveis (às vezes, parece um show circense) muitos diálogos engraçados e uma aparição de um rei no mínimo curiosa (por conta do sucesso do mesmo no mundo das séries). Importante é que a fita diverte e promete agradar a todos os tipos de público.
Nos créditos finais, o espectador vai às gargalhadas ao saber os desfechos dos corajosos anões. Ainda, nesse momento quando sobem as letrinhas, um ‘gran finale’ à La Bollywood os aguarda.
Não deixem de conferir essa nova versão, daquela famosa historinha, que escutávamos quando éramos pequenos. Indicado para toda família!

(Raphael Camacho)


Jovens Adultos


No ano de 2007, a jovem roteirista Diablo Cody (Burlesque) e o diretor Jason Reitman (Obrigado Por Fumar) realizaram um dos filmes mais aclamados daquele ano. Trata-se de Juno. O longa representou um refresh nas produções americanas, dando espaço aos jovens talentos. Cody levou a estatueta de Melhor Roteiro Original no Oscar por este trabalho. Depois dessa bem sucedida parceria, a roteirista se perdeu em produções como Garota Infernal e Burlesque; já Reitman conquistou os espectadores com a comédia romântica Amor sem Escalas. Este ano, lançam mais uma produção juntos, a comédia dramática “Jovens Adultos”.
Mavis (Charlize Theron) foi a jovem mais desejada e a mais bonita do colegial, namorou o cara mais cobiçado. Anos depois, é uma frustrada ghost writer - de uma coleção de livros para adolescentes - e divorciada. Decide voltar à pequena cidade de Mercury em Minnessota para reconquistar seu antigo amor. Essa sinopse pode ser comum em filmes americanos, mas com um roteiro assinado por Diablo Cody, tal trama não é nenhum um pouco comum.
Com uma personagem principal coberta de frustração, neurose, paranoia, alcoolismo e que se apoia numa ideia infantil para reconquistar seu ex-namorado (agora casado e com filho); estas se tornam as premissas para um longa repleto de humor seco, ácido, sarcasmo e ágil. A personalidade adolescente de Mavis pode ser comparada a de sua heroína dos livros (que tem qualidade igual a da Saga Crepúsculo). Paralelamente à sua ação, ela escreve o último livro, que pode ser confundida com ela. Pensamentos e ações da personagem Kendal, são as mesmas de Mavis.
E por sinal, a cultura pop volta como referência. A futilidade dos realities americanos tomam conta da atmosfera vazia de Mavis, que assiste programas como Keeping Up With The Kardashians e Kendra. Diálogos em off e imagens fúteis preenchem cenas de solidão da personagem. Não apenas isso, o nome de uma das Kardashians serve para sua heroína Kendal. Com um discurso que serve para mascarar sua realidade e vender alguns livros.
“Young Adults” (título original) não é apenas utilizado para identificar a personagem principal, mas também para designar a faixa etária de jovens que leem os seus livros. Jovens Adultos além de dramático, também aposta no humor ácido e ágil de Diablo, e com uma direção que aproveita o talento dos atores e a riqueza do roteiro, explorando uma trilha sonora que dá entrelinhas às ações dos personagens. Esta parceria de Diablo Cody e Jason Reitman rende bons frutos não apenas para a dupla, mas também para o cinema americano.

(Thais Nepomuceno)

domingo, 1 de abril de 2012

CRÍTICA de CINEMA

A Novela das 8


Quem de vocês gosta de novela? No novo trabalho, produzido, escrito e dirigido por Odilon Rocha, “A Novela das Oito”, o universo dos noveleiros é o pano de fundo para a trama. Em uma época em que o país do samba estava aprendendo a dançar a Disco Music, percorremos por algumas histórias, em meio ao cenário político conturbado daquele tempo.
Pena que os diálogos são mal estruturados e alguns artistas não se encaixam nos personagens, deixando o espectador distante da novela das oito, ou melhor, do filme em questão. Na trama, duas mulheres completamente diferentes se envolvem em um assassinato de um policial tendo que fugir desesperadamente para outra cidade. Aos poucos vamos descobrindo que uma delas é uma mulher que teve que se distanciar da família e tem uma história com alguns militantes que são contrários ao governo da época. A partir daí, o longa muda de foco e passamos a conhecer uma nova história, com novos personagens e com direito a dancinhas coreografadas, música alta e globo de luzes girando sem parar. O Brasil da época do filme, final da década de 70 (mais precisamente o ano de 1978), vivia um momento conturbado na sua vida política. Dias também, em que a novela de Gilberto Braga, “Dancin’ Days”, fazia um tremendo sucesso em muitos lares brasileiros. Inclusive, muitos dos personagens do longa, em muitas cenas, param em frente à televisão para conferir essa novela que teve a direção de Daniel Filho.
A história demora muito para pegar e isso faz o espectador se afastar um pouco do objetivo do filme, que é contar a trajetória de Dora (Claudia Ohana), passando por muitas histórias até o seu desfecho. Muita informação é apresentada em muito pouco tempo, deixando tudo muito confuso, são muitas histórias para contar. É o famoso caso da boa ideia (o argumento tem boas questões) que não foi tão bem executada, muito por conta do roteiro.
No elenco vemos rostos famosos do grande público, como: Claudia Ohana, Vanessa Giácomo, Mateus Solano, Alexandre Nero, entre outros. A primeira é o grande destaque, sem dúvida, o ponto alto desse novo filme nacional, bela interpretação da veterana atriz. A segunda, que interpreta uma prostituta viciada em “Dancin’ Days”, usuária assídua de perucas, não está ruim na pele de Amanda o problema é que sua personagem se distancia totalmente da história, deixando de ser essencial à nova trama que vai se moldando. Mateus Solano interpreta um homem da elite brasileira que mora em Londres e está de passagem no Brasil, quando acaba se apaixonando por outro homem. Executa uma cena de beijo homossexual bem intensa que vai demorar a vermos em uma novela. Alexandre Nero faz o vilão da trama, seu personagem (Brandão) tem o mesmo ar carregado do motorista que interpreta na atual novela das oito. Tem horas que pensamos: baixou o Nicolas Cage no Alexandre! Muito pelas caras estranhas, alucinantes, que o personagem fazia e que o ator americano fica, cada filme que passa, mais conhecido.
O compasso da trilha sonora não segue o compasso do filme, esse aspecto prejudica muito a interação do público com o que está acontecendo em cena.
Você, noveleiro ou não, mesmo com essas palavras acima tem que tirar suas próprias conclusões. Recomendo que veja o filme. Vamos prestigiar o nosso cinema, quem sabe você curte?

(Raphael Camacho)


Heleno


Heleno de Freitas foi um dos grandes astros do Botafogo. Um jogador intenso, que tinha algo a mais que seus companheiros de clube: amor pela camisa e sede de vitória. Jogar bem não era suficiente, ganhar era o básico. Heleno era galanteador, boêmio, explosivo, intenso e egocêntrico. Depois de estrear no Festival de Toronto, o cineasta José Henrique Fonseca traz às telas a história do jogador.
Os espectadores conhecem-no em seu auge, sendo interpolado com seu declínio, em uma clínica. O álcool, as drogas, o temperamento e as mulheres foram alguns dos fatores decisivos na vida do que poderia ter sido maior jogador do Brasil. Mas a narrativa extensa, faz com que sua história perca sua força. Já a fotografia e direção de arte, impecáveis, transportam os espectadores às décadas de 40 e 50, apoiadas em uma fotografia em preto e branco, com belas paisagens que exploram o Rio Antigo e imagens de acervo do antigo calçadão de Copacabana.
Rodrigo Santoro vive o jogador, e com seu talento, imprime sua tempestuosa relação com os demais jogadores e as mulheres de sua vida. O diretor errou ao escalar alguns nomes importantes da televisão (como Herson Capri, Ernani Moraes, Marcelo Adnet, Fernando Caruso, entre outros) para pequenas pontas, fazendo do filme um grandes especial televisivo. Apesar de errar na forma, o longa mostra um outro Rodrigo Santoro, com uma bela produção de arte. E aplausos para a fotografia da produção.

(Thais Nepomuceno)


Fúria de Titãs 2


Em tempos de guerra, se você tem poder, então você tem dever. Seguindo essa linha de chamada de guerreiros que estavam aposentados, temos o pontapé do novo trabalho do Sul-Africano Jonathan Liebesman (“Invasão do Mundo: Batalha de Los Angeles”), “Fúria de Titãs 2”. Na eminente guerra, onde Deuses e homens são afetados, quem acaba sofrendo é o público com atuações muito fracas e uma história apenas superficial.
Na história da era mitológica, Perseus, filho de um Deus (Zeus, que possui uma barba ao melhor estilo Gandalf) vive tranquilamente como pescador cuidando do filho em um vilarejo longe dos Deuses de outros filmes. Quando seu pai é capturado por dois ‘amigos’ (Hades e Ares se juntam aos titãs contra a raça humana), galopando em seu pégasus, Perseus vai em busca da ajuda para a grande batalha: de Agenor (filho de Poseidon) e Andrômeda (uma bela guerreira), gerando muita ação em terceira dimensão. Enfrentando traições de Deuses, gigantes com apenas um olho (carinhosamente chamados de Cyclops) e monstros com chifres que soltam uma baba bem melequenta, o filho de Zeus busca seu objetivo.
Algumas coisas incomodam. O cenário da grande batalha parece um labirinto construído com peças de lego que vão se encaixando e se modificando conforme o trio de guerreiros vai avançando no local. Outro fator que chama a atenção são os decibéis que chegam algumas cenas com muita gritaria em foco, parece que você está assistindo um jogo da Sharapova.
Os guerreiros que usam sandálias têm atuações bem fracas, o que provoca no público um afastamento ainda maior da história. Jake Sully, desculpe-me... Perseus, é interpretado por Sam Worthington. Ainda precisa demonstrar mais talento para viver protagonista, mas tem carisma, isso ajuda muito. Zeus e seu dom mágico de gerar ‘hadoukens’ é figura poderosa na trama. Pena que Liam Neeson tinha um roteiro muito ruim em suas mãos. A inglesa Rosamund Pike dá vida a Andrômeda. Não se encontra no papel em momento algum, corre um sério risco de concorrer ao Framboesa de Ouro no ano que vem. A atuação de Toby Kebbell também é terrível. Não consegue se conectar com a história quase nunca, tem apenas alguns lapsos de falas interessantes para a trama, tenta a todo instante ser o elo da ação com a comédia (fórmula que não dá certo), nesse longa que tem o roteiro assinado por Dan Mazeau e David Johnson.
Pode ser até que vire um grande jogo de vídeo game, mas como filme deixou, novamente, muito a desejar.

(Raphael Camacho)


Um Método Perigoso


Para aqueles aficionados pela psicanálise, a famosa cura pela palavra, “Um Método Perigoso” (A Dangerous Method) é um prato cheio para entender um pouco sobre a contribuição e contradições que permeavam o relacionamento entre Sigmund Freud e Carl Jung. Porém, por outro Lado, para quem é fã do diretor David Cronemberg, mestre do terror psicologicamente visceral, pode ser uma baita decepção, pois o mestre resolveu puxar o freio de mão.
Depois de dois longas – Marcas da Violência e Senhores do Crime - que retravam a violência no grau máximo, parece que Cronemberg resolveu dar uma “respirada” e ir apenas pelo caminho reflexivo de um roteiro interessante, baseado em fatos reais, onde o fator predominante é a maneira formal e sutil das relações pessoais que começavam a ter seus paradigmas da época quebrados quando os questionamentos sexuais de comportamento passaram de mera suposições para as práticas em si. O problema foi que as cobaias acabaram sendo os próprios estudiosos. Suas teorias psicológicas onde os instintos ocultos são associados com a natureza humana acabaram pregando-lhes uma peça.
Viggo Motersen, muso inspirador do diretor em seus três últimos filmes, faz um Freud polemicamente intrigante. Um homem orgulhoso que sempre tem que ser dono das últimas palavras. Keira Knightley, a paciente tentadora de Jung, lembra muito Winona Ryder em seus papéis de doida incondicional, não apenas sentido emocional, mas muito nos trejeitos onde sua personagem extrapola sua loucura. Over. Até Vincent Cassel, que faz uma pequena participação como Otto Gross, um psiquiatra psicótico, a deixa no chinelo. Agora, Fassbender, o ator sensação do momento, deixa seus colegas pra trás no quesito foco interpretativo. A doçura minimalista dos seus gestos e tempos contemplativos fazem dele o destaque de toda a história. Vale ressaltar ainda que todos eles são adornados pela mão precisa na direção, além da estonteante fotografia de Peter Suschitzky.
Mesmo com tantos adjetivos, o filme deixa uma sensação de suspensão no ar. Como se faltasse algo mais consistente durante o andar da história um tanto arrastada, mas também para dar um fecho mais interessante, como se fosse uma amarra bem dada, claro, a gosto do espectador. Diferente dos mergulhos dados nos últimos longas de Cronemberg que nos deixaram com água no pescoço, dessa vez ela se quer passou do joelho.

(Rod Carvalho)


Beleza Adormecida


Dirigido e roteirizado pela estreante Julia Leigh, “Beleza Adormecida”, é um drama que tem uma atmosfera esquisita, e mostra uma jovem completamente inconsequente que arranja um novo emprego bem suspeito. A trama tenta ser detalhista mas acaba sendo insuportável, a vontade pegar no sono ou sair da sala do cinema baterá em sua cabeça a todo instante.
Na história, temos um retrato assustador da vida de uma jovem estudante universitária que é envolvida em um mundo misterioso do prazer e sexo escondido quando arranja um emprego freelancer para trabalhar como garçonete, que tem como ‘modelito’ uma lingerie insinuante. A jovem não sabe mas é drogada com soníferos fortíssimos e toda noite é acompanhada de velinhos que se aproveitam da situação, cada um a sua maneira.
O filme não tem propósito, não tem emoção. Aos olhos da protagonista tentamos entender uma trama que é um absurdo completo. Com direito a um nu frontal (totalmente desnecessário) de um senhorzinho de mais de 70 anos de idade, o filme se torna indigesto e bem cafona em quase todas as sequências da ‘bela adormecida’.
No papel principal temos a jovem Emily Browning (“Sucker Punch - Mundo Surreal”), que interpreta Lucy (ou Melissa, ou Sara), uma jovem que trabalha como garçonete, ajudante administrativa e servente sexy de festas de senhores com grana. Personagem um tanto quanto não regulada da cabeça, dorme no chão do escritório, queima cédulas de seu salário, vai para o bar quase toda noite se insinuar aos marmanjos de plantão, que chegam a apostar uma transa com ela no cara e coroa. O trabalho da atriz australiana é muito prejudicado por uma história completamente vazia, onde sua personagem tem a difícil missão de preencher muitas lacunas, fato que não ocorre.
Muitos acharão a produção metafórica e encontrarão entendimento nesse audacioso trabalho. Mas a verdade é que as peças desse quebra-cabeça não fazem parte do mesmo jogo.

(Raphael Camacho)

domingo, 25 de março de 2012

CRÍTICA de CINEMA

Jogos Vorazes


Se você já estava ansioso para curtir outra saga de sucesso como “Harry Potter”, “O Senhor dos Anéis”, ou até mesmo “Crespúsculo”, que acaba ainda este ano, acho que encontrou sua motivação. Jogos Vorazes (The Hunger Games) promete ser a nova trilogia que irá chamar bilheteria e fãs em todo o mundo. O filme é uma adaptação do romance de ficção científica de Suzanne Collins, e já está virando fenômeno na literatura jovem. O americano Gary Ross (Seabiscuit – Alma de Herói) é o diretor.
Panem é o que restou dos Estados Unidos num futuro distante. A Capital, como é chamada a cidade principal, comanda os 12 distritos que a circundam. Devido uma revolta levantada contra a Capital, agora todos os anos os distritos têm que pagar com um casal de jovens representantes de sua região. Eles são chamados de “tributos”, e devem lutar até a morte numa competição chamada de “Jogos Vorazes”.
Para defender sua irmãzinha Primrose (Willow Shields), que foi escolhida como tributo pelo Distrito 12, a jovem Katniss (Jennifer Lawrence) se oferece para participar dos jogos. Junto a ela, o filho do padeiro, Peeta Mellark (Josh Hutcherson), é quem foi sorteado para representar o lado masculino. Peeta faz parte de uma família rica na região, ao contrário de Katniss, que é pobre e vive de caçadas para alimentar a todos em sua casa.
Você identificará uma mistureba neste filme: jogos romanos, reality show, American Idol, cerimônia do Oscar... É tudo junto numa coisa só. A Capital parece mais o “País das Maravilhas” se você notar a vestimenta de seus habitantes. Teve momentos que achei que Effie Trinket (Elizabeth Banks), a mulher que faz a colheita dos jovens no Distrito 12, era a versão feminina do “Chapeleiro Louco”.
O jogo é uma coisa cruel, mas vista pelos cidadãos da Capital como o evento do ano, cheio de glamour, com direito a usar a melhor roupa que possui durante o espetáculo. Katniss é uma garota esperta, mas terá que aprender a sobreviver se quiser ganhar a disputa, porque quem perde sai de lá morto, já que a ordem é destruir o concorrente.
Será com certeza a nova sensação dos cinemas, com direito a grandes filas e jovens suspirando e torcendo pelo possível romance que surgirá no decorrer da história. É assistir para conferir e não ficar por fora da nova trilogia de sucesso já antecipado.

(Silvia Freitas)


Raul Seixas - O Início, o Fim e o Meio


Em uma época onde o rock era a música que afirmava um poder fictício aos jovens, surgia no cenário mundial aquele que virou uma lenda, um mito, Raul Seixas. Dirigido pelo competente Wálter Carvalho, “Raul Seixas - O Início, o Fim e o Meio”, é um documentário divertido e emocionante que narra a trajetória do eterno maluco beleza da música popular brasileira.
Nesse ótimo documentário fazemos uma viagem na vida profissional e pessoal de Raul. A influência de Elvis Presley, o primeiro grupo (Raulzito e seus Panteras), o disco da virada na carreira (o álbum que tem o clássico “Sociedade Alternativa”), os muitos relacionamentos e depoimentos emocionados preenchem parte das lacunas deixadas pelo ídolo de uma multidão.
O homem que classificava sua própria música de ‘Raul Seixismo’, viveu intensos relacionamentos entre as décadas de 70 e 80. Raul era um pai amoroso que amou muitas mulheres. Via depoimentos, um inclusive via Skype, entendemos um pouco melhor a vida pessoal desse artista. O amor pelo grande ídolo é mostrado em muitos momentos, mais um em especial é marcante, nas enlouquecidas vozes de fãs cantando alguns clássicos em uma comemoração do aniversário do artista.
Entrevistas antológicas são mostradas. Depoimentos memoráveis de Paulo Coelho (grande parceiro de composição de Raul, ensinou exoterismo ao Maluco Beleza e o mesmo o ensinou a fazer letra de música), Nelson Motta, Pedro Bial, Caetano Veloso, Tom Zé, entre outros. Nessa hora percebemos o quão original era esse homem que mudou para sempre a história da nossa música.
Mas nem tudo eram flores na vida de Raul Seixas. As irresponsabilidades começaram a influenciar a carreira, o alcoolismo e as drogas foram caminhos percorridos pelo cantor que já dedicou um show ao cineasta Glauber Rocha. Por trás dos óculos escuros, uma lenda surgia. Saiba como isso aconteceu em “Raul Seixas - O Início, o Fim e o Meio”.

(Raphael Camacho)


Pina 3D


Os depoimentos em off dos bailarinos - de diferentes nacionalidades -, imagens de arquivo de Pina, de seus espetáculos e intervenções urbanas, conduzem a documentação de sua carreira, em busca de desvendar a mente da geniosa bailarina. Os pensamentos, ideias, impressões dos bailarinos são a chave para a narrativa.
Destaque para as imagens em performances em espaços públicos, como metrô, ruas, florestas, cachoeiras e penhascos, todas repletas de carga dramática na representação da coreografia e tensão corporal. O longa possui belas imagens, uma edição que mescla diversos momentos de diversos corpos de bailarinos e com uma trilha que diversifica os ambientes e espetáculos do grupo. As melhores lembranças dos órfãos da bailarina são editados através de suas participações.
A tecnologia 3D explora a profundidade e imprime uma descortinização dos espetáculos apresentados (como Café Muller). O longa é uma bela homenagem de Wenders a Pina Bausch e para os fãs de seu trabalho uma aula de artes cênicas.

(Thais Nepomuceno)

domingo, 18 de março de 2012

CRÍTICA de CINEMA

Protegendo o Inimigo


E é assim, sem tempo a perder, que somos lançados no meio da ação. Sem qualquer tipo de introdução, somos forçados a segurar a respiração, apertar o cinto e curtir a viagem. E que viagem.
Dirigido por Daniel Espinosa, “Protegendo o Inimigo” (Safe House), se passa na cidade de Cape Town, África do Sul, durante a busca da CIA para capturar um ex-agente traidor, Tobin Frost (Denzel Washington).
Ao pegarem o sujeito, o levam para uma “casa de segurança” para ser interrogado. Porém, durante o interrogatório, o local é invadido por alguns mercenários a procura de Frost. Só que, seguindo a cartilha do melhor manual de filmes do gênero, ele consegue fugir de todos, ou melhor, quase todos. Matt Weston (Ryan Reynolds), um agente novato que acaba de sair, literalmente, de trás de uma mesa para o campo de ação, enquadra o fugitivo e começa sua aventura para levá-lo para um outro esconderijo de segurança máxima. Numa direção frenética e uma montagem de dá nos nervos, Espinosa consegue nos entreter com elaboradas cenas de perseguição, seja de carro – que são simplesmente sensacionais - ou até mesmo a pé, deixando nossa atenção voltada 100% para a tela. Falar com a pessoa ao lado, nem pensar. Não dá tempo. E, no meio dessa excitação toda, podemos destacar Denzel. Um grande ator. Contudo, numa demonstração que sua aptidão para papéis onde seu esforço interpretativo é pouco mais do que um sorriso sarcástico, ele consegue fazer com que sua presença física seja o suficiente para denotar todo o subtexto em que seu personagem se encontra. Ou seja, lhufas. Reynolds, esse até se esforça, se sai bem, mas nada que seja motivo de desgastar as teclas do teclado.
Assim, sugiro deixar o lado racional do cérebro descansar um pouquinho em casa e ir se divertir como se fosse uma pequena criança em um parque de diversões.

(Rod Carvalho)


Projeto X


Imagine uma festa adolescente, onde três amigos nada populares querem elaborar uma festa para ficar marcada na história. É assim que Costa (Oliver Cooper) idealiza a festa de aniversário de Thomas (Thomas Mann). Com a ajuda de JB (Jonathan Daniel Brown), eles prometem uma noite inesquecível em suas vidas.
Projeto X: Uma Festa Fora de Controle é o típico filme teen americano, bem comparável a “American Pie” e “Despedida de Solteiro”, ou até, por que não, “Se Beber, Não Case”, já que foi produzido por Todd Phillips, responsável por este sucesso que já rendeu dois filmes e promete outros mais.
A filmagem é no estilo “Bruxa de Blair”, onde um quarto garoto, todo esquisitão, fica apenas registrando os momentos da galera. De início você já imagina que perdeu seu tempo vendo aquilo, porque a filmagem chateia um pouco, mas depois a festa vai tomando proporções que te deixam indignado e querendo saber o que vem pela frente.
O besteirol aqui é total, tipo mulheres quase nuas se exibindo, homens vomitando de tanto encher a cara, baderna generalizada, sexo do tipo “liberou geral”, então, se optar por assisti-lo, não cobre muito do resultado final. O filme em si não é ruim, mas também não sai da linha “vi e me diverti”. Ele é bem isso mesmo, um filme para diversão, em dias que você sai com a cabeça quente do trabalho e quer relaxar a esvaziando com algo descomprometido.
Logo de cara já há a solicitação de desculpas pelo o que fizeram em Pasadena, uma tranquila cidade americana que se transformou devido a uma noite de festa. Se a ideia era deixar você sair do cinema e querer vivenciar uma festa daquelas proporções, eles conseguiram.

(Silvia Freitas)


Guerra é Guerra!


Dois amigos inseparáveis e companheiros de trabalho se veem apaixonados pela mesma mulher. Um acordo é quebrado com a rivalidade e disputa pela amada. Esta poderia ser mais uma comédia romântica 'água com açúcar', se não fosse pelos perfis dos personagens: dois agentes secretos. A disputa pela mesma mulher toma rumos extremos. Esta é a ação principal do longa Guerra é Guerra, a nova produção do diretor McG (As Panteras), dos roteiristas Simon Kinberg (Sherlock Holmes) e Timonthy Dowling (Esposa de Mentirinha) e com Reese Witherspoon (Água para Elefantes), Tom Hardy (A Origem) e Chris Pine (Incontrolável) no elenco.
Iniciado com uma sequência de ação com elevado teor de humor,que já antecipa o clima da história. A dualidade entre os amigos, suas artimanhas para conquistar a moça e suas diferenças comportamentais tornam a ação mais cômica e envolvente. Hardy é Tuck, um pai divorciado em busca de uma companheira; já Pine é FDR, um conquistador que não se vê compartilhando uma vida a dois. No meio deles, Lauren (Reese), uma solteirona em busca de romance. E fora disto tudo, Trish (Chelsea Handler) a amiga de Lauren, que lhe dá conselhos irreverentes. O humor da comediante Chelsea ajuda na configuração da personagem.
Já a química de entre o trio é auxiliado pelo roteiro, que lembra comédias de ação românticas - como Sr. e Sra. Smith e Encontro Explosivo -, mas evoluídas a um outro patamar. This Means War (no original) indica uma evolução neste sub gênero, e consegue compor um filme divertido com elementos de humor, romance e ação. Mesmo tendo o foco no duelo entre os amigos, a ação toma espaço. Assim como as lutas protagonizadas por Tom Hardy, que por sua vez, mostra sua versatilidade em uma comédia. Já Witherspoon se repete em uma personagem comum em sua filmografia.
Piadas ágeis em um roteiro leve e divertido tornam Guerra é Guerra uma comédia romântica interessante para os fãs do gênero. Um longa com roteiro redondinho, onde há sua previsibilidade, mas que entretém seu público.

(Thais Nepomuceno)


Shame



O que fazer para se curar de um vício que está deteriorando gradativamente a sua vida? O novo trabalho do diretor inglês Steve McQueen (“Hunger”) nos conta o drama de um homem e sua compulsão. A ótima trilha sonora assinada por Harry Escott (que fez também a trilha de “Meninama.com”) ajuda a narrar esse que é um dos grandes filmes desse primeiro semestre.
Na trama, um compulsivo sexual ao extremo (com uma promissora carreira profissional) vive dias de desespero após a chegada de sua irmã ao apartamento onde mora. Seus dias eram preenchidos com visitas a sites pornográficos, coleção de revistas com tema adulto, masturbações nas pausas do trabalho (no banheiro da empresa) e vários encontros com desconhecidas, sempre terminando em sexo ou ações desse tipo. Quando sua irmã entra na história, sua rotina é abruptamente afetada e isso gera um descontrole intenso.
Na apresentação do personagem principal já temos uma idéia do vício que ele possui, com cenas muito verdadeiras (nua e crua em alguns momentos), vamos conhecendo melhor o protagonista.
Impressiona a atuação de Michael Fassbender, passa muita tristeza nos olhos por conta desse vício que sofre. Seu personagem Brandon Sullivan é um ninfomaníaco bastante consumido por seus impulsos. O ator alemão comove e se entrega em cenas bem complexas. Infelizmente foi esquecido pela Academia (Oscar) nesse ano, merecia uma vaguinha entre os melhores atores do ano.
Carey Mulligan está fabulosa no papel de Sissy Sullivan, tem um carisma único e contagia o espectador. Quando aparece cantando um clássico do Sinatra e com uma roupa bem ao estilo Marylin Monroe, vira um dos melhores momentos da história, simplesmente espetacular. A jovem artista inglesa de 26 anos teve no ano de 2011 seu melhor ano, com duas ótimas atuações, uma nesse filme e outra em “Drive”.
Os irmãos possuem ao longo da trama diálogos intensos (às vezes violento). Um tenta ajudar o outro mas as barreiras colocadas por cada um deles são muito difíceis de serem superadas. Há muito carinho nessa relação, muitas cenas mostram isso, porém, por conta da tentativa de ajuda de ambos os lados não serem feitas com êxito a eminência de uma tragédia para uma das partes se torna concreto.
O longa tem bastante cenas muito picantes de sexo e alguns nus frontais dos artistas. Em relação a isso, não achei vulgar nem desnecessário, foi filmado do jeito que tinha que ser. O final é bem aberto, deixando o público tirar suas próprias conclusões. Não deixem de conferir esse grande trabalho! Será um dos 10 melhores filmes do ano!

(Raphael Camacho)

domingo, 11 de março de 2012

CRÍTICA de CINEMA

O Pacto


Em um filme confuso, que tenta surpreender (naufragando nesse quesito), o diretor australiano Roger Donaldson (de ótimos longas, como: ‘Efeito Dominó’ e ‘Treze Dias Que Abalaram o Mundo’) reúne um elenco conhecido para contar esse thriller que não deve agradar a maioria do público cinéfilo.
Na trama, um professor do ensino médio vive uma vida feliz e apaixonada com uma musicista loira, muito bonita. Até que um dia a paz e a felicidade deles é abalada. Quando está indo para casa após um ensaio, a mulher é atacada e violentada por um criminoso. Confuso e desnorteado, o marido aceita receber ajuda de um homem misterioso (para uma espécie de vingança encomendada) sem saber direito onde estava se metendo.
Nicolas Cage continua deixando os cinéfilos com dor de cabeça, com filmes que nem de longe lembram clássicos de sua filmografia, como: ‘Adaptação’, ‘Despedida em Las Vegas’, ‘O Senhor das Armas’. January Jones mais uma vez muito fria em um papel, sem saber demonstrar emoção. Já é o segundo trabalho dessa atriz (muito bonita, diga-se de passagem) que seu personagem não consegue passar veracidade, com suas emoções ao público (o primeiro foi em ‘O Desconhecido’). Guy Pearce aparece como o vilão e tenta dar um algo a mais para a embolada história, infelizmente não consegue levar o filme nas costas.
No elenco, nomes conhecidos do público que acompanha seriados americanos.
Harold Perrineau (ex- ‘Lost’) faz o melhor amigo do personagem de Cage, tem importância fundamental para o desfecho da trama. Jennifer Carpenter (do seriado de sucesso ‘Dexter’) aparece muito pouco e tem raríssimas falas, poderia ter sido melhor aproveitada e a história mais focada na amizade com a personagem de Jones.
O grave problema que o longa apresenta é a questão da ‘teoria da conspiração’ evidenciada a cada passagem de minuto da fita. Explicando: de repente todos os personagens que aparecem fazem parte da tal organização (que corre em paralelo do mundo da polícia e da justiça) e não é explicado o sentido dessa irmandade. As informações chegam sem nenhum propósito e o espectador fica refém de uma história sem fundamento. O que muitos amantes da sétima arte temiam acontece: Cage erra de novo!

(Raphael Camacho)


John Carter: Entre Dois Mundos


Com o peso nas costas de iniciar uma franquia para a Walt Disney, chega aos cinemas nacionais o megalomaníaco ‘John Carter – Entre Dois Mundos’, adaptação cinematográfica de 'A Princesa de Marte' (John Carter de Marte), clássico romance de Edgar Rice Burroughs – mesmo criador de Tarzan. A adaptação da história, escrita há 100 anos, é o grande problema da produção. Com um roteiro cheio de furos e passagens que são explicadas superficialmente, a missão do protagonista e seus motivos não convencem e a trama fica embaralhada.
John Carter (Taylor Kitsch) é inexplicavelmente transportado para Marte, onde se vê envolvido em um conflito de proporções épicas entre os habitantes do planeta, incluindo Tars Tarkas (Willem Dafoe) e a atraente Princesa Dejah Thoris (Lynn Collins). Em um mundo à beira do colapso, Carter descobre que a sobrevivência de Barsoom e de seu povo está em suas mãos.
Na contramão do roteiro confuso, a direção de Andrew Stanton ('Procurando Nemo') é magnânima. Com sets gigantescos e efeitos especiais de primeira, o diretor mostra segurança ao dirigir atores de carne-e-osso, e consegue criar cenas mirabolantes e um visual detalhista e convincente. Em muitos momentos, você realmente acredita estar em Marte.
Taylor Kitsch, novo queridinho de Hollywood, consegue provar seu talento. Sem ter grandes personagens no currículo (apareceu brevemente em ‘X-Men Origens: Wolverine’), ele também protagoniza outro blockbuster este ano: ‘Battleship – Batalha dos Mares’. Kitsch tem os dotes necessários para ser um protagonista de ação, e também tem o timing ideal para os momentos cômicos. Sua química com a atriz Lynn Collins – também ótima – salva o relacionamento aparentemente raso.
‘John Carter’ vai ter que suar muito para conseguir trazer lucro para a Disney: o orçamento foi de altíssimos US$ 250 milhões, sem contar nos gastos de marketing, e precisa arrecadar no mínimo US$ 700 milhões mundialmente para não ficar no vermelho.
Apesar de ser um blockbuster visualmente encantador, com uma história que remete aos antigos clássicos do cinema (lembra ligeiramente a saga ‘Star Wars’), ‘John Carter’ peca justamente no que é essencial para o público nos dias de hoje: a história.

(Renato Marafon)


W.E. - O Romance do Século


O vencedor do Oscar de Melhor Filme ano passado, mostrava como o Rei George - na Inglaterra - chegou ao trono e suas limitações vocais para proferir um discurso convincente ao povo. “O Discurso do Rei” deu a Colin Firth o Oscar de Melhor Ator e a possibilidade de mostrar um período histórico na Inglaterra, sob o ponto de vista do personagem. Bertie (Firth) não era o preterido ao trono, e sim seu irmão mais velho Edward, que abdicou para se casar com uma americana divorciada. Mas por que citar “O Discurso do Rei”? Porque o novo filme da pop star Madonna, trata exatamente do romance de Edward e Wallis Simpson.
“W.E.” mostra o outro lado da moeda, mas erroneamente leva o subtítulo de "o romance do século". Na trama, Wally Winthrop (Abbie Cornish) vive um casamento conturbado com William. Uma exposição seguida de leilão dos pertences de Wallis (Andrea Riseborough) e Edward (James D'Arcy), fascinam a jovem nova iorquina no ano de 1998. Paralelo a esta história, a do romance entre a plebeia e o príncipe.
A narrativa fragmenta e entrelaça a vida das duas Wallis. Tal ação se torna maçante, pelo didatismo. Madonna - que também assina o roteiro - , optou por referências atuais ao casal Edward e Wallis Simpson. Como documentários televisionados e a própria exposição com os pertences do casal. As referências do casal na vida da jovem Sra. Winthrop desencandeia uma insatisfação com sua vida e uma busca pelos motivos e frustrações do casal que foi alvo dos ingleses.
As demasiadas comparações das duas mulheres causa cansaço nos espectadores. Madonna também tentou aflorar seu lado cineasta, explorando diversos tipos de enquadramentos das câmeras e diversificadas fotografias. Em determinados momentos, a modificação da fotografia para o preto e branco (mostrando a vida pública do casal Wallis e Edward) imprime um distanciamento na história em um ponto de vista jornalístico e retrô. Mas em outros momentos, alguns enquadramentos e posicionamentos das câmeras são indevidos. Essa exploração das possibilidades técnicas existentes, demonstram uma tentativa de tornar o filme mais interessante do que ele é.
No mais, a trilha sonora supera as expectativas (se tratando de Madonna, este é o quesito que ela deve dominar), orquestrando momentos importantes na história; e com a atuações não tem peso igual a trilha. A tentativa de tornar duas histórias em épocas diferentes paralelas através da edição, foi recurso utilizado em diversos filmes (o recente Julie e Julia fez o mesmo com mais potencialidade). Ainda assim o longa de Madonna não deixa de ser uma referência histórica ao romance de do Duque e da Duquesa de Windsor.

(Thais Nepomuceno)

domingo, 4 de março de 2012

CRÍTICA de CINEMA

Billi Pig


Falando sobre fé mas com um roteiro muito confuso, atores carismáticos e personagens cômicos, reunidos no subúrbio do Rio de Janeiro, o diretor José Eduardo Belmonte (do excelente 'Se Nada mais der Certo”) apresenta ao público seu novo trabalho, “Billi Pig”. O grande problema do longa é ser muito superficial, não avança nas brechas criadas em nenhum momento, deixando de ser interessante e virando uma confusão projetada na telona.
Uma loucura misturada com um sonho. Assim somos apresentados à trama, Marinalva (Grazi Massafera) tem um sonho de ser atriz e possui um simpático porquinho falante como fiel confidente. Casada com Vanderlei (Selton Mello) que é dono de uma seguradora no subúrbio do rio de Janeiro. Após saber de um acidente com a filha de um mafioso local, Vanderlei resolve pedir ajuda do Padre do bairro (Milton Gonçalves) para fazer o impossível: ressuscitar a acidentada.
Os atores são carismáticos e tentam preencher seus personagens com muito improviso mesmo com os problemas no roteiro. Selton Mello é Vanderlei, um homem sem energia, depressivo em alguns momentos. Pouco inspirado em satisfazer o mulherão que tem dentro de casa, romanticamente falando. Possui uma seguradora de fundo de quintal em Marechal Hermes (RJ). Personagem cômico esse de Selton, quando nervoso, pratica passos de Moonwalker a la Michael Jackson. A cantora e atriz Preta Gil tem uma boa atuação e cumpre bem seu papel para com o filme, bastante natural. Milton Gonçalves tem grande destaque com o seu Padre Roberval, rouba a cena falando expressões em inglês, tira muitas risadas nessa hora. O personagem de Otavio Muller é onde a trama tenta se sustentar, porém, peca na tal da profundidade mencionada. Grazi Massafera é uma mulher com um carisma impressionante e se esforça para tentar dar sentido à sua personagem.
Ser superficial acopla muitas histórias deixando dificuldades de se conectar com o público. Onde o filme é mais profundo? Talvez, quando apresenta a relação conturbada dos protagonistas casados. Quando o jovem suíno começa a falar (Grazi dubla o porquinho) com a protagonista as confusões provocadas por essa estranha situação é o mais profundo que o roteiro consegue ir.
O filme tem alguns momentos inesperados, como: um número musical dentro de um boteco (o diretor é fã de filmes do gênero) e um grande pagode comandado por Arlindo Cruz, regado a muita feijoada. Um fato negativo a comentar: A trilha sonora não se encontra com o filme em momento nenhum!
Mesmo não agradando esse crítico que vos escreve, recomendo a você leitor que vá conferir essa produção nacional nas telonas. Nosso cinema está se arriscando mais, isso é sempre importante de mencionar, às vezes as idéias dão certo outras vezes. Dê uma chance a sua curiosidade e vá aos cinemas a partir do dia 02 de março conferir esse filme. Quem sabe você não gosta, né?

(Raphael Camacho)


Anjos da Noite 4: O Despertar


Muito aguardado pelos fãs da trilogia, o quarto filme da saga “Anjos da Noite” chega aos nossos cinemas no dia 02 de março. A história fraca e a busca pela melhor tomada nos belos olhos azuis de Kate Beckinsale não ajudam muito a fita dirigida pelos suecos Måns Mårlind e Björn Stein.
Na trama, uma guerreira vampira consegue se libertar de uma organização mal intencionada após 12 anos em cativeiro gelado. No lugar do único homem que amou ela encontra uma menina com os olhos dele. De volta à vida, tem que se preparar para uma guerra entre espécies e mais tarde ainda fica sabendo que tem uma filha que não é exatamente somente uma vampira.
A atriz inglesa Kate Beckinsale (que interpretou Ava Gardner em “O Aviador”) tem a difícil missão de ser a protagonista desse duelo entre lobisomens e vampiros. Com a roupa preta bem justa a beleza da artista é bastante explorada. Sua personagem Selene é uma lutadora exterminadora de inimigos, para vocês terem uma idéia, numa cena provoca uma fratura exposta com apenas um movimento. As pistolas duplas (utensílios bastante utilizados durante as batalhas) lembram a famosa Lara Croft.
A breve introdução, sobre a história dos outros filmes da saga, ajuda o espectador a situar-se melhor com o que acontece em cena. Então, respondendo a pergunta de vocês: Não precisa ver todos os outros três filmes para assistir a esse (mas, é sempre bom né?).
O filme é o irmão gêmeo bivitelino de “Resident Evil”. Analisando: futuro cheio de não-seres humanos, potencial bélico aos montes, protagonistas lindas e corajosas, dezenas de baixas de guerra pelo caminho, roteiros confusos e direções contestáveis. São ou não são iguaizinhos?
Baseado na história de Len Wiseman, o pensamento nerd paira no ar, esse longa daria um ótimo jogo para qualquer console de última geração. Em seu desfecho, fica evidente uma enorme deixa para um quinto filme. Vá conferir caso seja fã da nova mamãe vampira da praça.

(Raphael Camacho)


Poder sem Limites


Narrado em primeira pessoa (estilo consagrado após o terror A Bruxa de Blair, no qual a câmera é um personagem da história e representa o ponto de vista do público), 'Poder sem Limites' mostra um grupo de adolescentes – Andrew, Matt e Steve – aprendendo a conviver com misteriosos poderes telecinéticos que eles adquirem após encontrar um meteorito alienígena.
A história é focada na vida de Andrew (Dane DeHaan), um rapaz comum e impopular no colégio, cuja mãe vive acamada e sob efeitos de remédios e o pai é um bombeiro aposentado e alcoólatra. Frustrado por ter sido obrigado a deixar o emprego após um acidente e viver com uma renda que mal dá para pagar os caríssimos remédios que mantêm sua esposa viva, o pai de Andrew desconta no garoto sua má sorte. Por causa disso, o jovem vive fechado em seu mundo particular e, entre uma surra e outra, encontra um passatempo ao adquirir uma filmadora de segunda mão.
O filme começa no momento em que Andrew liga sua câmera e começa a fazer um documentário de sua vida particular, levando seu novo brinquedo onde quer que vá. Seu único amigo é o primo Matt (Alex Russell), com quem costuma sair para o colégio e para algumas festas. Num desses raros momentos de lazer, Andrew conhece Steve (Michael B. Jordan), o aluno mais popular da escola que o convida para filmar uma gruta que ele e Matt encontraram e da qual provem um ruído estranho. Ao explorar a gruta, o trio encontra um meteorito que pulsa e muda de cor quando se aproximam. A câmera sofre uma interferência e desliga. A partir daí, os jovens percebem que adquiriram poderes telecinéticos e começam a usar essas habilidades para se divertir.
Quanto mais usam os poderes, mais suas habilidades se aperfeiçoam. Aos poucos, os rapazes percebem que podem levitar coisas, criar barreiras invisíveis ao redor de si mesmos e evitar que se machuquem e até mesmo voar. Com o tempo, o que parecia ser apenas uma brincadeira juvenil acaba saindo do controle e os jovens terão que arcar com as consequências de seus atos. As personalidades de cada jovem vem à tona no modo como cada um lida com suas responsabilidades, a exemplo do que acontece na vida real. No entanto, o fato de serem jovens e inexperientes e estarem lidando com algo totalmente novo é que faz a situação ser preocupante e, por que não dizer, catastrófica.
O diretor Josh Trank mostra, com muito realismo, a questão do deslumbramento juvenil ao lidar com uma novidade extraordinária. Diferente do que vemos nas histórias em quadrinhos, quem é que resistiria a usar uma visão de raios-X para olhar as garotas nuas no vestiário? Quem é que, se tivesse uma força descomunal, sairia para caçar bandidos ao invés de dar uma surra no valentão do colégio? Ou deixaria de exibir suas habilidades num festival de talentos para conquistar popularidade e simpatia dos colegas?
O filme faz referência a várias produções de super-heróis como X-Men (quando um dos garotos tem seu “momento Magneto”, imaginando a si mesmo como o próximo passo da evolução da humanidade e, portanto, um ser superior que deve ser o “predador” dos outros), o Incrível Hulk (quando a raiva reprimida de tantas surras coloca pra fora um “monstro” destrutivo e irracional) e até mesmo uma luta no centro da cidade que lembra bastante o confronto final do Superman com o General Zod em Superman II (alguns puristas poderão considerar esta declaração uma heresia, mas é apenas uma sensação que este repórter teve durante a exibição do filme). Além, é claro, da ideia implícita de que "grandes poderes trazem grandes responsabilidades", lema clássico do Homem-Aranha. Uma prova de que os garotos (um deles, pelo menos) não estão nem aí para o jargão do aracnídeo é mostrada na cena em que Andrew usa seus poderes para estraçalhar uma aranha. Referência mais clara, impossível!
Se tudo isso foi proposital ou se trata apenas de um delírio nerd deste crítico acostumado a ler quadrinhos desde a mais tenra idade, não dá pra saber. Mas é certo que Poder Sem Limites foi criado para mexer com a sensibilidade de quem está vendo. O fato de ser narrado sob o ponto de vista do câmera já coloca o espectador como parte da história. Isso sim é proposital: o diretor quis que o público pensasse “e se fosse comigo? Será que eu faria diferente?” Em seu primeiro trabalho, Trank conseguiu transportar para as telas com perfeição os dramas vividos pelos jovens: a relação conflituosa com os pais, o desejo de liberdade, bullying, perda da virgindade, mudanças de personalidade e a transformação do menino em homem. Temas pelos quais todo mundo já passou e, por isso mesmo, também são motivos para que o espectador se enxergue como parte da trama.
Exatamente por se prender nessa narrativa realista, a ação demora bastante para engatar. É só na última meia-hora que o enredo sofre uma reviravolta e a situação complica pra valer. Mas essa última meia-hora de filme compensa toda a demora e prova que a lentidão teve uma razão de ser. Afinal, é preciso criar o clima, mostrar que é fácil julgar atitudes erradas e irresponsáveis quando não vivemos todo o contexto da história. Difícil mesmo é estar na pele de quem errou e fazer diferente. Poder Sem Limites é uma crônica da vida que merece ser visto. Não é um filme espetacular, mas certamente você não vai sair do cinema sendo a mesma pessoa.

(Eduardo Marchiori)