domingo, 26 de fevereiro de 2012

CRÍTICA de CINEMA

Albert Nobbs


O que você faria para sobreviver numa sociedade machista sendo uma mulher? As respostas dessa e de outras perguntas estão no novo longa dirigido pelo colombiano Rodrigo Garcia (‘Destinos Ligados’, ‘Coisas Que Eu Poderia Dizer Só de Olhar Para Ela’), ‘Albert Nobbs’. Com um elenco de rostos conhecidos e gratas surpresas fica o destaque para duas grandes interpretações de mulheres que interpretam homens.
Numa sociedade rígida e intolerante, Dublin de épocas passadas para ser mais claro, uma mulher se disfarça de homem para sobreviver. Nunca contara seu segredo há ninguém, até que um dia uma pessoa com uma história bastante semelhante à sua muda completamente o desenrolar de seu destino.
Em um hotel, a trama acontece. Somos apresentados lentamente a todos os personagens que cercam à trama. Mrs. Baker, a dona do estabelecimento, é uma mulher rígida que adora chamar a atenção de seus empregos; Dr. Holloran é um médico local que sempre está presente nos eventos do hotel, é muito querido por todos; Jonathan Rhys Meyers como Visconde Yarrell aparece bem pouco, personagem sem influência nenhuma na história, sinceramente não dá para entender o porquê da existência desse na trama; Helen Dawes (Mia Wasikowska) é uma das camareiras que terá bastante importância no desfecho da história. Mas os dois personagens que se destacam, Albert Nobbs e Sr. Page, são quem ditam o ritmo do bom roteiro de John Banville.
Albert Nobbs é muito mais que um homem em um corpo de mulher, é uma sonhadora que deseja ter uma tabacaria e junta cada centavo que ganha para realizar esse desejo. Esse espírito empreendedor é despertado de forma inesperada. É uma forma de encarar a vida, através de seus desejos. Quando o Sr. Page descobre o segredo de Nobbs isso muda a história, o controle e o descontrole da peculiar situação andam lado a lado nesse drama.
Glenn Close está muito bem no papel de Nobbs e figura entre as candidatas ao Oscar de melhor atriz. Mais uma ótima atuação da veterana atriz. A inglesa Janet McTeer é a grande surpresa do filme. Consegue interpretar seu papel de maneira bastante interessante e não vai me surpreender se for indicada à muitos prêmios ano que vem. É um belo drama com um desfecho satisfatório.

(Raphael Camacho)


Tão Forte e Tão Perto


O atentado às Torres Gêmeas nos Estados Unidos, em 11 de setembro de 2001, repercutiu mundialmente. Não só abalou a megapotência americana, como deu "pano pra manga" para inúmeras produções. Foram realizados diversos documentários e ficções com o ato terrorista. Quase 11 anos depois, o diretor Stephen Daldry (Billy Elliot) lança mais um drama com este tema. Trata-se de “Tão Forte e Tão Perto”.
Estrelado por Sandra Bullock (Um Sonho Possível), Tom Hanks (Larry Crowne), Max Von Sydow (Robin Hood) e o novato Thomas Horn; a trama mostra através da perspectiva do menino Oskar (Horn), as consequências do ato terrorista no World Trade Center. Seu pai Thomas Schell (Hanks), estava em um dos prédios e morreu. Através do encontro de uma chave no guarda roupa, que pertencia ao pai, o menino sai em busca do significado. Buscando uma explicação lógica para o acontecimento e acreditando que no final terá alguma mensagem dele.
O filme remonta o dia 11 de setembro para os novaiorquinos; o desespero das pessoas que não entendiam o que estava acontecendo e como eles lidaram com a tragédia. O dia fatídico é mostrado aos poucos para os espectadores, fragmentado com sequências do antes - o pai vivo e sua relação com o filho - e o depois - o filho em busca de uma conexão com pai -.Poderia se tratar de mais um corriqueiro drama, se os personagens não fossem o pai e filho Schell. Thomas é um joalheiro, que incita no filho o espírito de aventura e o lúdico; já o filho, é uma criança com uma alta capacidade de raciocínio lógico e dotada de inteligência. E é através desta relação que o longa ganha relevância.
Com narrativa repleta de ações, que repercurtem o olhar e o entendimento do jovem; intercalada em offs e cenas. O jovem estreante Thomas, imprime aflição, distúrbios obsessivos, toc, uma tendência à sindrome de asperge e depressão, sentimentalismo e consciência de todos estes males. Através do texto e na construção do personagem, o ator guia os espectadores nesta jornada em busca do inexplicável. A produção conta com atuações primorosas de Max Von Sydow, em um personagem misterioso (ou talvez nem tanto, mas que não explica suas motivações) e não fala, mas que deixa claro suas intenções; e com Tom Hanks, no papel do pai, que brinca com o espírito aventureiro do filho e seu lúdico.
A tragédia vista sob o ponto de vista daqueles que eram simples pessoas, no lugar errado e na hora errada; e que por isso perderam suas vidas, torna Tão Forte Tão Perto mais humano. Trazendo o ponto de vista de uma criança madura para esta realidade. O longa está indicado aos prêmios de Melhor Ator Coadjuvante (Max Von Sydow) e Melhor Filme no Oscar 2012.

(Thais Nepomuceno)


Drive


Dois jovens talentos do cinema, mais um roteiro construído de forma peculiar fugindo de muitos clichês que poderia encontrar pelo caminho e uma direção quase que impecável é, sem dúvidas, a grande fórmula de sucesso do tão esperado filme 'Drive', que fora baseado no livro homônimo de James Sallis.
Muita gente diz que ator bom não precisa nem falar muito durante a fita, tem que mostrar com ações e entendimento de sua personagem contando aquela história de maneira única e demonstrar que outra pessoa não se sairia tão bem quanto, no papel. Ryan Gosling é um artista diferenciado. A cada nova produção que faz parte, consegue dar um foco diferente a cada personagem. Um jovem gênio na arte de interpretar. Em 'Drive', Gosling tem cenas memoráveis, como no ato inicial, onde seu personagem fica mais de 9 minutos sem soltar uma palavra e mesmo assim é espetacular sua atuação!
Na trama, um jovem que é dublê, mecânico e à noite faz trabalhos como motorista de assaltos diversos, se aproxima de sua vizinha e começa a fazer parte de sua vida. Com a saída do marido da prisão, o personagem principal do drama tem que ajudar o rapaz (e ao mesmo tempo sua nova amiga) em um roubo que pode não sair como planejado, levando todas as consequências à um desfecho vingativo.
Carey Mulligan cada vez mais se consolida como uma das grandes jovens atrizes do mundo do cinema. Uma especialista em longas dramáticos (apesar que, eu tenho a certeza que ela se encaixa em qualquer tipo de produção), despontou no filme Educação para o estrelato. Nesse novo trabalho interpreta Irene uma jovem mãe que teve que criar o filho sozinha por conta da prisão do pai da criança. Sua personagem vai se construindo ao longo da trama e tem ótimas cenas ao lado do 'Drive'.
Não perca essa boa produção comandada por Nicolas Winding Refn (que já havia dirigido o ótimo 'Bronson') que promete lotar as salas de cinema no mundo todo. Ótimo filme!

(Raphael Camacho)


A Mulher de Preto


Uma paisagem sombria é o grande palco do novo trabalho de Daniel Radcliffe, ‘A Mulher de Preto’. Nesse filme de suspense dirigido por James Watkins (que assinou a direção do filme ‘Eden Lake’ que tem o bom ator Michael Fassbender no elenco) toca no assunto espiritismo de maneira bem ampla mostrando personagens que acreditam e um em específico descrente de todas essas hipóteses. Entre uma névoa e outra fica evidente uma coisa: A mansão mal assombrada pelo espírito de uma mulher que se veste de preto lembra muito outro filme do gênero, ‘Rose Red’.
Na trama, um jovem advogado chamado Arthur Kipps, após o ultimato da firma onde trabalha, parte em busca de uma vila para tratar dos assuntos jurídicos de um falecido dono de uma mansão. Assim, é forçado a deixar o filho pequeno na responsabilidade de uma babá na cidade onde mora. Chegando nessa vila, logo percebe que todos os moradores parecem assustados com a presença dele e o quadro só piora quando o Sr. Kipps começa a ver uma mulher vestida de preto ao redor da mansão.
Arthur Kipps é um personagem bastante interessante. Fica visivelmente abalado emocionalmente, após o falecimento da mulher (no parto de seu filho), percebemos isso quando sentimos um conflito interno do personagem em acreditar ou não na ‘Mulher de Preto’. O ex-bruxinho Harry Potter, Daniel Radcliffe, tem uma atuação ‘razoável para boa’ e tenta fugir ao máximo de qualquer trejeito que o faça lembrar daquele pequeno pupilo de Albus Dumbledore. Isso às vezes pode ser uma tarefa bem difícil, irá depender muito do público e como vão aceitar os novos papéis do ator inglês de 22 anos.
O grande destaque do filme vai para uma dupla de coadjuvantes, em admiráveis atuações. Janet Mcteer (que ofuscou Glenn Close em ‘Albert Nobbs’) está excelente no papel de Mrs. Daily, uma mulher perturbada pelo espírito do filho que falecera anos atrás. A cena intensa dessa personagem na mesa de jantar gera alguns sustos. O sazonado ator irlandês Ciarán Hinds é o Sr. Daily, um homem que não acredita no espiritismo que ronda a vizinhança onde mora. É o principal amigo do personagem de Radcliffe, virando uma espécie de Watson.
O diretor, com sua frenética câmera, tenta aproximar os detalhes a todo instante. O público interage muito com a fita (se assustando principalmente) tentando encontrar nesses detalhes alguma parte importante do quebra-cabeça. O roteiro é assinado por Jane Goldman (uma das roteiristas do elogiado ‘X-Men: Primeira Classe’) adaptado do livro de Susan Hill. A boa trilha de Marco Beltrami também é digna de elogios.

(Raphael Camacho)

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